Espanha   

Província Ourense

Informações

Superfície: 7.273,4 Km²
População: 340.000 

Descrição Geográfica
A província de Ourense está situada no sul do território galego, entre os meridianos 42º 52´ e 42º 37´de latitude N e os paralelos 3º 10´e 4º 35´de comprimento O. Os seus 340.000 habitantes distribuem-se numa superfície de 7.273,4 quilómetros quadrados que está limitada pelos seguintes limites geográficos: ao extremo setentrional as províncias de Pontevedra, Lugo e León;: ao margem meridional a República de Portugal; no extremo oriental a província de Pontevedra e Portugal; e na parte ocidental León e Zamora.
Na maior parte deste território, localizado sobre o maciço arcaico galaico-duriense, o relevo está composto nomeadamente por materiais duros e antigos. A abundância de montanhas velhas e formações graníticas muito corroídas, formam uma paisagem quebrada, acidentada, com grandes desníveis, fossas tectónicas e abundantes grupos de montanhas que, apesar dos inumeráveis contrastes e dinamismo, consegue ter uma harmonia extraordinária.
Esta orografia possui uma riqueza e uma variedade no meio ambiente incrível, caracterizada pela abundância de frondosos vales, férteis planícies, serras, rios, represas e lagoas. Em geral, podem-se distinguir três partes: por um lado os vales do Minho e dos seus afluentes Barbaña, Loña, Barbantiño e Avia, cá abunda o cultivo da vide e da horta; por outro lado, estão as planícies de Vilamarín, Amoeiro, O Carballino, O Irixo e Maside, onde predominam os cultivos de cereais, nomeadamente centeio, batatas e com certeza a ganadaria; finalmente, as serras do Faro e Faro de Avión. As formações de água abrangem uns 500 quilómetros quadrados do território de Ourense e mais de 200 quilómetros de comprimento são navegáveis.
Em geral, a vegetação pode-se situar dentro de dois regiões botânicas: a setentrional e a ocidental. Entre as espécies de árvores pertencentes à flora boreal destacam: as carvalheiras, castanheiros, vidoeiros, salgueiros e árvores de frutas como a macieira, a pereira, a cerejeira, a nogueira, a aveleira, etc. As árvores mais abundantes dentro da flora mediterrânea são: os pinheiros, figueiras, limoeiros, sobreiros, loureiros e laranjeiras.
A pureza do ambiente natural também faz possível a reprodução duma fauna exuberante e variada. Entre as espécies mais características destacam: lobos, raposos, javalis, coelhos, corços, falcões, milhafres, a perdiz vermelha, a águia real, o gavião, etc.
Ourense é a única província galega que não está banhada pelo oceano. Desta maneira as principais fontes de benefícios estão relacionadas directa e indirectamente com o campo e os recursos naturais: agricultura, ganadaria, minaria, produção hidroeléctrica, indústria agrícola, indústria têxtil, indústria da madeira, o sector serviços e a emigração, constituem a base sobre a que se baseia a economia de Ourense. A pouca industrialização e a escassez de habitantes nas zonas montanhosas, facilitam a conservação dos seus privilegiados ecossistemas.
O clima varia entre as características do oceânico e o caracter continental. A altitude influi nas temperaturas, e enquanto que em Ourense capital a média anual varia entre os 13,9ºC e os 15,3ºC, em Cabeza de Manzaneda (a apenas uns poucos quilómetros) as nevadas são frequentes durante os meses de inverno, e permitem a prática dos desportos relacionados com a neve. Em geral, as precipitações são bastante abundantes e a média anual é de 542,9 litros por metro quadrado. Desta maneira a humidade relativa média é do 67 por cento.
Ourense é uma província que procura, sem rejeitar a sua modernidade, manter uma harmonia e um respeito com o seu privilegiado âmbito natural, com a tradição e as costumes. A gastronomia integra directa ou indirectamente a idiossincrasia deste povo, já que enlaça os recursos naturais com o trabalho, o trabalho com o caracter das festas e romarias, as festas com a religião e as lendas, as lendas com os alimentos e os alimentos com a língua


Aspectos históricos
Estas terras ricas em recursos e favorecidas pelo clima, foram elegidas desde tempos muito antigos por diferentes culturas.
Os primeiros restos encontrados na província datam do Paleolítico Inferior Médio. Mas segundo demonstram multidão de monumentos, pode-se dizer que o nível de ocupação não começou a ser importante até o período Megalítico.
Os povos celtas procedentes de Europa central, chegaram de maneira numerosa a Galiza entrando através dos vales do Sil e do Duero, entre os anos 950 e 650 a. De C. Existem abundantes restos arqueológicos e textos de autores romanos que explicam as costumes desta povoação castreja. Ademais das construções típicas, os castros, deixaram amostras bastante aperfeiçoadas de ourivesaria: colares, braceletes, diademas, "arracadas" (brincos com adorno) e anéis.
Os romanos começaram a chegar à província no século II a. De C. Depois de várias incursões, Otávio César Augusto organizou um assédio aos cántabros, astures e galegos que terminou definitivamente no ano 19 a. De C. Ao margem das numerosas obras de arquitectura, uma importante construção deste período foi a III via militar, chamada a número 18 do Itinerário de António, que unia Braga com Astorga Com a decadência do Império Romano e depois dum pacto com Roma, os suevos chegaram à província e começaram a governar toda Gallecia com a primeira monarquia da Península. A finais da monarquia sueva, Ourense converteu-se em morada temporária dos reis.
Nos anos 970 e 997 a província foi invadida pelos normandos e os sarracenos. Almanzor destruiu a cidade de Ourense e a sede episcopal passou a depender da igreja de Lugo, até o ano 1071. O infante Afonso Raimúndez foi nomeado Rei de Galiza no ano 1109, e vários anos mais tarde a incipiente burguesia, com o apoio dos reis, conseguem para algumas vilas de Ourense as cartas de privilégio, como as outorgadas no ano 1554 por Afonso VII a Allariz; ou por Fernando II a Ribadavia.
Nos séculos XIV e XV a burguesia e os campesinhos, apoiados por parte da nobreza e do clero, ergueram-se em contra dos senhores feudais nas chamadas guerras dos "Irmandiños". Depois de longas lutas onde foram destruídos multidão de castelos e fortalezas, a nobreza, apoiada pelos reis de Espanha e Portugal, detiveram a revolta. As grandes casas senhoriais, a igreja e os mosteiros dominaram a maior parte da província durante os séculos XVII e XVIII. A propriedade da terra era aforada aos campesinhos pelos fidalgos que faziam de intermediários até fazer-se ricos e alcançar um alto nível social. Como amostra do seu poder foram construídos os paços, grandes edificações rurais onde se guardavam as rendas que pagavam os campesinhos.
A princípios do XIX os curas, frades e fidalgos promoveram uma revolta contra a invasão francesa. Entre muitas outras lutas, sobressaem especialmente a defesa de Ourense e Ribadavia.
A finais do século XIX aconteceram sublevações federais em Ourense e Valdeorras. Anos mais tarde, na segunda metade do século XX, a capital provincial converteu-se numa referência da moda política e cultural da época. Apareceu a chamada "Xeración Nós" (Geração Nossa) e escritores como Vicente Risco, Ramón Otero Pedrayo e Florentino López Cuevillas propõem um maior sentimento de ser galego.
Arte
Ao margem dos primeiros restos pré-históricos e das construções da cultura castreja, o arte começou a ornamentar estas terras com continuidade desde a romanização. Alguns vestígios dos começos da romanização da província são: os conjuntos de pedra do antigo pretório, actual Museu Arqueológico; os enterramentos das praças da Trinidade e da Magdalena; as aras dedicadas aos deuses Telluro e Júpiter; a ponte da Loña e as cepas da ponte romana sobre o Minho.
Durante a Idade Média os últimos reis suevos construíram uma catedral dedicada a San Martiño, à que se atribuem os restos que se encontram na fachada de Santa María Madre. Anos mais tarde, na alta Idade Média, construem-se pequenos edifícios destinados ao culto que finalmente foram convertidos nos mosteiros de San Pedro de Rocas, San Xes de Francelos e Naves.
O românico, junto com um estilo francês originado pela reforma do Cister, teve uma grande importância na província e, a finais do século XII, construíram-se os mosteiros de Oseira e Melón. Este estilo também foi famoso no âmbito rural, nomeadamente na zona do Ribeiro.
O arte gótico utilizou fundamentalmente as fábricas dos mosteiros, igrejas e catedrais para se associar e sobrepor. Distinguem-se especialmente o pórtico do Paraíso, o Santo Cristo (século XIV), os baldaquins do Ribeiro e O Carballino, a escultura funerária dos mosteiros, distintos elementos da catedral de Ourense e os conventos de Franciscanos e Domínicos.
O Renascimento é assimilado pelos mosteiros e a catedral de Ourense, onde Cornielles de Holanda fez no ano 1515 o retábulo maior baseado nas últimas inovações do arte gótico. Anos mais tarde, exactamente no 1587, Juan de Angers el Mozo fez o cadeirado, de clara influência do maneirismo. Entre outras obras sobressai especialmente o Retábulo da Quinta Angústia, feito pelo mestre Sobrado no ano 1560.
No momento da decadência da economia feudal, séculos XVII e XVIII, os monges e os novos senhores ricos erigiram enormes fábricas barrocas em paços e mosteiros que também terminou espalhando-se pelas igrejas rurais.
A começos do século XIX principiou um crescente desenvolvimento da cidade nas principais vilas e especialmente na cidade de Ourense. Excepto algumas obras de arquitectos que reflectem os movimentos mais avançados da Europa como o expressionismo, racionalismo e acima de tudo o modernismo, a maioria das edificações têm um carácter funcional sem considerar os valores artísticos.
No século XX novos valores artísticos apareceram na província baixo o nome de artistas que continuaram a ter mais prestígio e importância. Principalmente são escultores e pintores de diferentes modas os que fazem crescer a cultura destas terras. Entre outros destacam: escultores como Baltar, Failde, Buciños, Acisco Manzano; pintores como Parada Justel, Prego de Oliver, Virxilio, Quessada, José Luis de Dios, Ortiz, etc. 

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